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Remédio de gente para cachorro e gato: o que pode e o que não pode?
Atualizado em:
Conteúdo
- Por que remédios humanos são perigosos para cães e gatos?
- Estimulantes de apetite: Apevitin / Apevitin BC e Cobavital
- Antieméticos: Dramin, Plasil e Epocler
É uma cena comum: o pet está mal — vomitando, com dor, sem apetite — e a farmácia mais próxima tem dezenas de soluções nas prateleiras. A tentação de abrir o armário de remédios e dar algo ao animal é natural. Mas o que parece cuidado pode esconder riscos sérios para a vida do seu companheiro.
Diariamente recebemos perguntas de tutores que administraram — ou estão pensando em administrar — medicamentos humanos em seus cães e gatos. Reunimos aqui as dúvidas mais frequentes e as respostas do nosso veterinário sobre cada remédio, explicando por que cada caso exige orientação profissional.
Aviso importante: este conteúdo é informativo e não substitui a consulta veterinária. Nenhuma dose é indicada intencionalmente: a mesma substância pode ser segura ou fatal dependendo do peso, espécie, raça, estado de saúde e outros medicamentos que o animal já usa. Diante de qualquer emergência, procure um médico veterinário ou clínica 24 horas.
Por que remédios humanos são perigosos para cães e gatos?
O metabolismo de cães, gatos e humanos funciona de formas distintas. O que o fígado humano processa facilmente pode acumular em níveis tóxicos no organismo de um pet. Os gatos, em particular, têm deficiência natural de uma enzima hepática que processa grande parte dos fármacos — substâncias seguras para cães podem ser letais para felinos.- Concentração da dose: fármacos humanos são formulados para adultos de 60–80 kg. Um pet de 3 kg recebe uma dose proporcionalmente altíssima.
- Excipientes ocultos: comprimidos e xaropes humanos frequentemente contêm xilitol (tóxico para cães) ou propilenoglicol (tóxico para gatos).
- Mascaramento de sintomas: tratar o sintoma sem diagnóstico pode deixar a doença progredir enquanto o animal "parece melhor".
- Interações medicamentosas: se o animal já toma outro medicamento, uma adição sem orientação pode causar reações graves.
Estimulantes de apetite: Apevitin / Apevitin BC e Cobavital
Quando o pet come pouco, muitos tutores recorrem ao Apevitin ou ao Cobavital — estimulantes de apetite vendidos em farmácias para uso humano. Esses produtos contêm ciproheptadina (um anti-histamínico com efeito estimulante de apetite) e vitaminas do complexo B. A ciproheptadina é, sim, utilizada em medicina veterinária — principalmente em gatos com inapetência crônica. Mas a versão humana tem concentração e formulação pensadas para adultos. Nos cães pode provocar sedação excessiva; nos gatos requer monitoramento cuidadoso. Nunca ofereça sem receita veterinária. Além disso, falta de apetite é sintoma, não doença — antes de estimulá-lo é essencial entender por que o animal não está comendo.Paulo pergunta: "Tenho uma chow-chow muito chata para comer. Resolvi dar Apevitin BC a ela e a danada está comendo muito bem. Esse remédio é de ser humano — faz mal?"
Veterinário Homeopet: Não se deve utilizar nenhuma medicação em seu animal que não tenha sido prescrita por um médico veterinário. Todo medicamento alopático possui riscos de efeitos colaterais, contraindicações e toxidez. Consulte um médico veterinário.
Antieméticos: Dramin, Plasil e Epocler
Quando o animal vomita, o reflexo do tutor é buscar algo para "parar o vômito". Dramin e Plasil são os mais citados — mas vômito é um sintoma com dezenas de causas possíveis, e tratá-lo sem diagnóstico pode mascarar a causa e agravar o quadro. Dramin (dimenidrinato): anti-histamínico humano para enjoo de transporte. Em cães pode causar sedação intensa, boca seca, retenção urinária e taquicardia. Em gatos o risco de toxicidade é maior. Plasil (metoclopramida): tem uso em medicina veterinária, mas sempre com prescrição, na dose correta para o peso do animal e sob diagnóstico preciso. Epocler: hepatoprotetor humano utilizado por alguns tutores para "limpar o fígado" do pet. Seu perfil de segurança em cães e gatos não está bem estabelecido. Atenção — emergência: vômito com sangue, mais de 3 episódios em poucas horas, letargia ou distensão abdominal é emergência. Leve ao veterinário imediatamente.Rodrigo pergunta: "Meu cachorro está com doença do carrapato, tomando antibiótico há 7 dias, mas todos os dias vomita após o remédio. Posso dar um Dramin para ele não vomitar?"
Veterinário Homeopet: Não se deve fornecer nenhuma medicação sem orientação veterinária. Converse com o médico veterinário que instituiu o tratamento e relate o que está acontecendo para que ele faça as devidas alterações.
Elysangela pergunta: "Posso dar Plasil pro meu cachorro? Ele está vomitando muito."
Veterinário Homeopet: Você não deve utilizar nenhum medicamento sem orientação veterinária. Os sintomas podem ter diversas causas — virose, infecção alimentar, verminoses. O ideal é que seu animal seja examinado por um veterinário para diagnóstico e tratamento correto.
Buscopan para cólica em cachorro
O Buscopan Simples (butilescopolamina) e o Buscopan Composto (butilescopolamina + dipirona) são comuns nos armários domésticos. A dipirona tem uso em medicina veterinária, mas a combinação sem diagnóstico pode mascarar quadros graves — como dilatação gástrica ou torção de estômago — que exigem cirurgia urgente.Silvia pergunta: "Dei osso de galinha ao meu pet. Ele dá gemidos parecendo cólicas. Dei Buscopan Composto. O que fazer?"
Veterinário Homeopet: Você não deve fornecer medicamentos para o seu cachorro porque corre o risco de intoxicá-lo. O ideal é levá-lo a um médico veterinário para tirar quaisquer dúvidas antes de adotar qualquer conduta.
Renato pergunta: "Minha cachorra pintcher do dia para a noite começou a vomitar e teve diarreia. Amanhã é feriado e estou sem dinheiro para o vet. Dei um Buscopan — vou esperar fazer efeito."
Veterinário Homeopet: Você deve levá-la o quanto antes ao médico veterinário, que irá avaliar com exames clínicos e laboratoriais para estabelecer o diagnóstico e o tratamento correto.
Francine pergunta: "Dei Floratil e Buscopan Composto (orientação do vet). Mas à noite ele não para de vomitar. O senhor não poderia dizer 'dê chá disso ou tal medicação' para aliviar agora?"
Veterinário Homeopet: Entendo o desespero, mas em muitos casos não há como indicar medicamento sem saber os detalhes do quadro e sem examinar o animal. Sou médico veterinário, e justamente por ser um profissional devo fazer as melhores indicações. Procure uma clínica 24 horas.
Vermífugo humano: Albendazol para Cães e Gatos
O Albendazol é amplamente usado na vermifugação humana, mas sua concentração nos comprimidos para adultos é muito superior à de vermífugos veterinários. Em cães pode causar supressão da medula óssea, hepatotoxicidade grave e morte. Em gatos o risco é ainda maior. Além disso, alguns parasitas comuns em pets nem sequer são cobertos pelo albendazol. Nunca use albendazol humano em cães e gatos. Não há margem de segurança adequada entre a dose calculada pelo tutor e a dose tóxica. Consulte sempre um veterinário para a indicação do vermífugo correto para a espécie e o peso do seu animal.Remédios para o fígado: Xantinon e Eparema
Quando o animal vomita bile ou está sem apetite, alguns tutores buscam hepatoprotetores humanos como Xantinon ou Eparema. O Xantinon contém ácido quenodesoxicólico; o Eparema, extratos de alcachofra e boldo. Nenhum dos dois tem perfil de segurança bem estudado para cães e gatos — especialmente felinos, que metabolizam compostos fenólicos de forma diferente dos humanos.Tatiana pergunta: "Meu filhote de boxer de 4 meses está vomitando espuma branca e não quis comer hoje. Posso dar Xantinon, que é remédio de fígado?"
Veterinário Homeopet: Não deve utilizar nenhuma medicação sem orientação veterinária, sob risco de agravar o quadro do seu animal. Leve-o a uma consulta com um médico veterinário.
Anticonvulsivantes: Gardenal (Fenobarbital) e Rivotril
O Gardenal (fenobarbital) e o Rivotril (clonazepam) são utilizados em medicina veterinária para controle de epilepsia e convulsões. Mas isso não significa que o tutor pode adquiri-los e administrá-los por conta própria. São medicamentos controlados que exigem prescrição veterinária, monitoramento periódico dos níveis sanguíneos e da função hepática. A dose é calculada por peso e tipo de crise. Nos gatos, os benzodiazepínicos como o Rivotril têm margem de segurança ainda menor. Nunca altere a dose sem consultar o veterinário.Tutor pergunta: "Meu cachorro toma Gardenal há dois anos por convulsões. Ultimamente está fraco, não come bem e pouco sociável. Acho que o remédio está afetando negativamente."
Veterinário Homeopet: Leve seu animal ao veterinário para bateria de exames: hemograma, bioquímico para função hepática e renal. Após os resultados, o veterinário saberá qual conduta adotar. Converse sobre alternativas para o controle da epilepsia.
Vinicius pergunta: "Meu labrador de 6 meses, 20 kg, precisa tomar Gardenal. Divido o comprimido de 100 mg em 4 pedaços. Dou ¼ por dia ou de 12 em 12 horas?"
Veterinário Homeopet: O Gardenal é medicamento controlado que deve ser prescrito e acompanhado por médico veterinário. Siga as orientações do profissional e jamais altere a dose sem orientação, sob risco de provocar crises em seu animal.
Tutor pergunta: "Meu cachorro está com cinomose e tomando Gardenal para controlar convulsões, mas está muito fraco e não consegue se alimentar."
Veterinário Homeopet: A cinomose é um problema muito grave e de difícil solução. O tratamento pode variar conforme a resposta do animal e em muitos casos é necessário que o animal fique internado. Leve-o ao veterinário o quanto antes.
Colírios humanos: Lacrifilm e Outros
Colírios lubrificantes sem conservantes (lágrimas artificiais simples), como o Lacrifilm, podem ser utilizados como medida temporária em casos de olho seco ou irritação superficial. Porém, colírios com antibióticos, anti-inflamatórios, anti-glaucoma ou vasoconstritores nunca devem ser usados sem prescrição. Corticoides oculares podem agravar infecções; anti-glaucoma podem ser tóxicos. Um olho vermelho pode ser desde conjuntivite simples até glaucoma agudo — e o tratamento é radicalmente diferente em cada caso. Emergência oftalmológica: olho muito vermelho com dor intensa, fechado com lacrimejamento excessivo, córnea turva ou trauma ocular — procure veterinário imediatamente.Para Anemia: Noripurum, Sulfato Ferroso e Combiron
Anemia em cães e gatos — frequentemente causada pela doença do carrapato — leva tutores a buscar suplementos de ferro humanos como Noripurum (ferro injetável), Sulfato Ferroso em comprimidos ou gotas, e Combiron. O sulfato ferroso oral pode ser prescrito por veterinários, mas a dose depende do peso e da concentração do produto. O Noripurum intravenoso é o mais perigoso: a administração IV de ferro dextrano sem diluição e técnica corretas pode causar reações anafiláticas graves, inclusive fatais. Nunca aplique injeções em animais sem orientação veterinária.Cláudia pergunta: "Posso dar sulfato ferroso comprimido de adulto para minha cachorrinha de um ano?"
Veterinário Homeopet: Não se deve utilizar nenhuma medicação sem indicação do médico veterinário.
Jenifer pergunta: "Comprei sulfato ferroso em gotas para meu cachorro com anemia (se recuperando de câncer). Quantas ml dou e quantas vezes ao dia?"
Veterinário Homeopet: Você deve consultar o veterinário que prescreveu o produto, pois para indicar a dose é preciso saber o peso do animal e a concentração do medicamento.
Mariana pergunta: "Minha labradora de 4 meses está com anemia pela doença do carrapato. Estou dando Noripurum, 3 gotas por dia, além de fígado e água de beterraba. Tem mais algo que posso fazer?"
Veterinário Homeopet: Forneça soro caseiro e alimentos ricos em ferro, como fígado. Consulte um veterinário antes de iniciar qualquer tratamento.
Ruchelli pergunta: "Meu cachorro está com doença do carrapato e a veterinária receitou Combiron. Esse remédio realmente ajuda?"
Veterinário Homeopet: Esclareça suas dúvidas sobre a eficácia com a própria veterinária que prescreveu. Sempre siga as orientações do profissional que está acompanhando o caso do seu animal.
Outros: Lacto Purga, Histamin, Hipoglós e Epocler
Lacto Purga (laxante)
Laxantes humanos podem causar desequilíbrios eletrolíticos graves em animais, especialmente filhotes e idosos. Constipação em pets pode ter causas que exigem tratamento específico — nunca dê laxante sem diagnóstico veterinário.Histamin (anti-histamínico)
Anti-histamínicos como o Histamin (dexclorfeniramina) podem ser usados em animais por veterinários para reações alérgicas, mas a dose é criteriosa e a formulação importa. Em gatos, algumas formulações causam toxicidade do sistema nervoso central. Use apenas com orientação profissional.Hipoglós (pomada)
Contém vitaminas A, D e E em base oleosa. Alguns tutores usam em assaduras e irritações leves dos pets. O problema: animais lambem a área tratada, e a ingestão repetida pode causar problemas gastrointestinais. Para lesões de pele, use produtos indicados por veterinários e, se necessário, aplique colar elizabetano para evitar a lambedura.Epocler
Hepatoprotetor humano com extratos vegetais. Seu perfil de segurança em cães e gatos não está bem estabelecido. A indicação em animais exige avaliação veterinária prévia.Buscando similares humanos para medicamentos veterinários
É comum perguntar por alternativas humanas para produtos veterinários com custo elevado, como condroioprotetores. Medicamentos como o Condroton são formulados com concentrações e associações pensadas para cães e gatos, com segurança clínica estabelecida. Converse com seu veterinário sobre opções acessíveis dentro da medicina veterinária.Quando ir ao veterinário? Sinais que não devem esperar
Diante dos seguintes sinais, não tente medicar o animal em casa — procure atendimento imediatamente:- Vômito com sangue, ou mais de 3 episódios em poucas horas
- Diarreia com sangue ou mucosa
- Mucosas pálidas, brancas ou azuladas (gengiva, conjuntiva)
- Animal incapaz de se levantar ou andar
- Distensão abdominal com respiração ofegante
- Convulsões ou tremores
- Perda de consciência ou desmaio
- Suspeita de ingestão de substância tóxica
- Trauma (atropelamento, queda, mordida)
- Gato que não urina há mais de 24 horas (emergência)

